EXPOSIÇÃO PINTURA

O INVISÍVEL TORNADO VISÍVEL: MENINOS IHS DE VESTIR

Luís Calheiros



Local | Capela da Nossa Senhora dos Remédios, Largo Pintor Gata


Labor de artista, figuração de ideias, pintura de alma

Luís Calheiros, o quase anacrónico pintor. Figurativo e rigoroso num tempo em que se pensa só a abstracção poder traduzir uma multi-realidade figurativamente intraduzível e ideologicamente fragmentada

Luís Calheiros, o ensaísta e executante primoroso do desenho e da cor. Reconhecido pelos seus mais consagrados pares a partir dos anos oitenta do século passado, pelos seus escassos coleccionadores particulares e pelas – aí, muitas – instituições culturais e artísticas, nacionais e estrangeiras, que contam as suas obras no acervo.

Luís Calheiros, o artista pouco produtivo de cuidado labor. Instado insistente e, às vezes, terroristicamente a produzir obra plástica, responde com bonomia ou – também às vezes – com inaudito mau-feitio que lhe podem comprar telas… mas não lhe podem comprar o tempo.

E esse é o comércio íntimo que o pintor estabelece com a própria pintura.

A pintura que é, como dizia Leonardo, cosa mentale. E que observa, mas sem tutela ou acordos ortográficos, uma gramática tão rigorosa como a da linguagem escrita, onde não vale falar muito sem dizer nada.

Também aqui não valem a pena muitas imagens que não contenham um olhar.

Cá estamos, então, em face dos Meninos de Vestir, confrontados com a questão da Humanidade ser a criação de um deus ou, ao contrário, ser a própria criadora (encenadora, estilista, costureira e aderecista) desse mesmo deus.

Pois é… a pergunta é sempre mais importante que a resposta.

João Luís Oliva


Agradecimentos | Fernando Oliveira e José Loureiro


Luís Calheiros | 1952. Viseu. Artista Plástico, pintor, desenhador, crítico de arte, publicista. Licenciado em Belas-Artes, Curso Superior de Pintura, pela ESBAP, Escola Superior de Belas Artes do Porto, actual FBAUP, (1982). Frequentou a Licenciatura em História, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Prestou Provas Públicas (PPCCAP), no IPV, na especialidade teórica de Estética e História da Arte do Século XX, ESEV-IPV (2001). É actualmente Doutorando em História da Arte, matriculado na Universidade de Coimbra, onde pretende defender brevemente, em provas públicas, na Faculdade de Letras, a dissertação final em História da Arte, «Elogio do Feio na Arte. Fealdade no Século XX». Professor na ESEV, unidade orgânica do IPV, Instituto Superior Politécnico de Viseu, Docente do Departamento de Comunicação e Arte. Trabalha em atelier na sua casa, o Paço de Fráguas, em Fráguas, lugar de Mosteiro de Fráguas, Tondela. Distrito de Viseu. Realizou dez exposições individuais e esteve representado em numerosas exposições colectivas. Participou em Exposições Nacionais, a convite das respectivas organizações ou seleccionado pelos júris de concurso: quatro edições da Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira, a 3ª Exposição Geral de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1986), e várias Exposições Gerais de Arte Moderna no Porto, a Grande Exposição Colectiva 80 anos de Arte no Porto (patrocinada pelo Futebol Clube do Porto) (1986), ou a Grande Exposição ESBAP - FBAUP, no Edifício da Alfândega do Porto (1995). Representado em exposições colectivas em Inglaterra, Espanha, Brasil e Bélgica (Europália, Bruxelas, 1991). Foi premiado uma única vez: 1º Prémio de Pintura (Prémio C M de Viseu - Fundação Calouste Gulbenkian) do II Salão da Feira de S. Mateus / 1986, Viseu. Está representado em colecções públicas e privadas, portuguesas e estrangeiras.