EXPOSIÇÃO ILUSTRAÇÃO

METANOIA

Rosário Pinheiro, Liliana Bernardo e Frederico Pompeu



Local | Casa da Farmácia Pinto, Largo Pintor Gata

A exposição Metanoia é um exercício de subversão. É a junção da vontade e estética de três artistas distintos, a ilustrar poemas da personalidade fragmentada de Adília Lopes. Dobra (Adília Lopes, Assírio & Alvim) é a premissa ideal para a construção de obras que se desdobram e dividem. Metanoia significa uma mudança, Adília Lopes mudou da física para a literatura, e as ilustrações mudarão da cabeça para o tronco, do tronco para os membros. O desafio prende-se com o efeito surpresa para os artistas, e o efeito bizarro para o público. Pretende-se o envolvimento do público na exposição, participando com cadáveres esquisitos, de desenho e texto, feitos no local, e expostos em conjunto com as obras. Tendo a exposição também um carácter lúdico e educativo.

metanoia

s.f.(grego metánoia, -as)
Mudança no pensamento ou no sentimento.
Arrependimento ou penitência.

cadaver exquis

Cadáver esquisito, é um jogo colectivo surrealista inventado por volta de 1925 em França. No início do século XX, o movimento surrealista francês inaugurou o método "cadavre exquis" (cadáver esquisito) que subvertia o discurso literário convencional. O cadáver esquisito tinha como propósito colocar na mesma frase palavras inusitadas com continuidade mas sem sentido completo, o mesmo conceito é aplicado ao desenho. O método agrega mais de um autor, cada um deles intervém da maneira que deseja, porém, dobrando o papel para que os demais colaboradores não tenham conhecimento do que foi escrito ou desenhado. O título do jogo provém do primeiro dos cadáveres esquisitos conhecidos "O cadáver esquisito beberá / o vinho novo".


Adília Lopes | Pseudónimo literário de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira, (Lisboa, 20 de Abril de1960) é uma poetisa, cronista e tradutora portuguesa. Estudou Física na Universidade de Lisboa, licenciatura que abandonou, quase completa, devido a uma psicose esquizo-afectiva, doença da qual sempre falou abertamente, fosse na sua poesia, crónicas, conferências ou entrevistas a meios de comunicação social. Deixou de estudar por conselho médico e começou a escrever com o intuito de publicar. Publicada pela Assírio & Alvim, o estilo da poetisa, aparentemente coloquial e naif, está repleto de jogos fonéticos, associações livres, rimas infantis e idiomas estrangeiros. Os temas do quotidiano, principalmente femininos e domésticos, são tratados com humor e auto-ironia, candura e crueza, inteligência e intencionalidade: «há sempre uma grande carga de violência, de dor, de seriedade e de santidade naquilo que escrevo». É Adília, católica praticante que por vezes transporta uma profunda religiosidade para o que escreve, que se define a si própria como «tímida desenrascada» ou «freira poetisa barroca».

Liliana Bernardo | Ligada à fotografia e ilustração. Uma moça do monte desde 1988.

Rosário Pinheiro | Viseu, 1988. Designer e ilustradora. Cresceu 4cm aos 23 anos.

Frederico Pompeu | Nascido em 1989, concluiu o Mestrado em Design no Departamento de Comunicação e Artes da Universidade de Aveiro; a sua área de estudo abrange sobretudo a ligação entre questões culturais e o Design. Actualmente trabalha como ilustrador e designer em diversos projectos entre os quais se contam a Grácio Editor, o duo de designers Plastikatze e o colectivo criativo WellHello. Os seus interesses e actividades abrangem a fotografia e a videoart, tendo participado na criação de eventos lúdicos e culturais e em exposições de fotografia analógica como autor.