CINEMA NOS JARDINS

À PROCURA DE SUGAR MAN

Cinema ao ar livre



Local | Praça D. Duarte

Horário | 13 de Julho - 22h00


Título original | Searching for Sugar Man 

De | Malik Bendjellou

Género | Documentário

SUE/GB, 2012, Cores, 86’


A história de Rodriguez: sexto filho de imigrantes mexicanos (daí o Sixto), trabalhador da construção civil, grande admirador de Leonard Cohen, Dylan e Henry Mancini, edita dois álbuns, "Cold Fact", em 1970, e "Coming From Reality", no ano seguinte. Os discos recebem boas críticas, mas passam despercebidos junto ao público. Pouco depois, o músico desaparece. Entretanto, cópias dos discos chegam à Austrália e à África do Sul. Neste último país, o passa-palavra transforma-o num fenómeno que atravessa gerações. No país do apartheid, ferozmente conservador, Rodriguez torna-se uma voz de rebeldia e de esperança. Enquanto os seus discos chegam a 500 mil lares sul-africanos, principalmente os da juventude branca liberal, Rodriguez trabalha na construção civil para sustentar as três filhas, concorre a vários cargos públicos em Detroit por obrigação cívica e tira um curso de Filosofia por curiosidade intelectual.

Malik Benjelloul, realizador televisivo sueco, 35 anos, partiu do seu país em 2006. Vagabundeou pela América do Sul e por África, procurando "histórias que valessem a pena ser contadas". Na Cidade do Cabo, entrou na loja de discos de Stephen "Sugar" Segerman e ouviu aquele que, juntamente com o jornalista Craig Bartholomew-Strydom, desvendara o mito. Sem financiamento, começou por filmar aquela história com um iPhone.

O resultado foi um documentário que, para além de ter ganho vários prémios (entre eles um Óscar e um BAFTA), fez renascer a carreira de um dos mais importantes ícones da história da música.


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CINEMA NOS JARDINS


Os Jardins Efémeros 2014 seleccionam quatro filmes para exibir no âmbito da sua programação: Searching for Sugar Man (2012, Malik Bendjelloul), Rear window (1954, Alfred Hitchcock), Lisboa em Si (2013) e Arrugas (2011, Ignacio Ferreras). Em comum, diferentes modos de abordar e entender a visibilidade e a invisibilidade, sendo que uma não é sem a outra. A importância do que se mostra, do que se intui, do que se vê, de como se vê. A primazia no olhar, certamente. Como, a título de exemplo, afirmou Jacques Rancière (Os intervalos do cinema, 2012), referindo-se a Gilles Deleuze e a algumas das mais marcantes personagens de Alfred Hitchcock, a paralisia do sistema motor, isto é, a crise da imagem-movimento conduziria à revelação da imagem-tempo. Na verdade, o coração, o centro do dispositivo cinematográfico é a imagem, na sua complexidade e nos diferentes modos de operar. E, claro, de ser olhada.

Isabel Nogueira