INSTALAÇÃO

VISUALIZAR O IMATERIAL

Dalila Rodrigues, João Dias, João Seixas e Pedro Santos Guerreiro



Local | Rua do Gonçalinho

Textos | Dalila Rodrigues, João Seixas, Pedro Santos Guerreiro

Fotografia | João Dias



Fotografias realizadas com uma máquina construída manualmente e adaptada digitalmente para tirar partido das vantagens destes dois mundos.  

Tem como base um mecanismo de máquina fotográfica de grande formato, combinado com um sistema digital. A máquina apropria-se das imagens com todos os efeitos e vantagens dos processos fotográficos analógicos e, ao mesmo tempo, guarda as imagens em alta resolução digital. Para tirar uma fotografia o processo é semelhante à fotografia antiga, sendo sempre necessário o uso de tripé, algum tempo para focagem e entre um e oito minutos para tirar, efectivamente, a fotografia. O tempo depende da maior ou menor resolução da imagem.

O aspecto da imagem aproxima-se muito da fotografia de grande formato, com grande detalhe de informação e excelente difusão da luz. A textura da fotografia assemelha-se à das placas utilizadas no "processo de Collodion", ao mesmo tempo combinado com informação, ruído e textura digital. Estas fotografias tiram partido dos aspectos da fotografia antiga combinando detalhes fotográficos claros com uma espécie de textura digital.

A partir dos textos de Dalila Rodrigues, João Seixas e Pedro Santos Guerreiro, produzidos para os Jardins Efémeros sob o tema “Viseu para lá do visível”, o artista plástico João Dias procurará traduzi-los visualmente através de uma máquina construída manualmente e adaptada digitalmente. O Diário de Viseu e o Jornal do Centro associam-se a este projecto fazendo nas quatro páginas centrais da edição de 11 de Julho o manifesto visual da obra, incluindo os textos de Dalila Rodrigues, João Seixas e Pedro Santos Guerreiro.



“De Viseu é quem cá nasceu, quem cá vive, quem por cá passa, quem de cá quer ser. Isso é ser cidade, sede de cidadania e não lugar de pertença material. É esse horizonte imaterial da cidade que constitui tema de reflexão para três escritos de cidadãos – viseenses, como de qualquer outro lugar: Dalila Rodrigues, João Seixas e Pedro Santos Guerreiro. Mas será que o que sobre essa imaterialidade se pensa, escreve ou lê pode ser plasticamente concretizado? Desafio para o visualista João Dias, que procurará traduzir fotográfica e infograficamente essas reflexões – enfim, materializar o invisível – e exporá o ensaio em galeria a céu aberto na zona histórica de Viseu. Melhor, na mais antiga. Porque históricas… são todas.”

João Luís Oliva



João Dias | Nascido em 1983, conclui em 2006 o curso de Artes Plásticas - Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Realizou várias exposições individuais e muitas colectivas entre Portugal, Espanha, Alemanha e Londres. Em 2008 mudou-se para Berlim à procura de novos desafios, envolvido em projectos de fotografia, instalação, performance e construção de sistemas para câmaras de filmar para o documentário ficcional de Nina Bendzko. Detentor da bolsa Inov-art entre 2008-2009. O seu trabalho desenvolve-se na procura de novas formas de desenho, combinações de linguagem gráficas com diferentes suportes e técnicas, como a fotografia, vídeo, instalação e performance, entre os quais, "Drawing/Performance" com Abraham Hurtado (Berlim, Murcia, Barcelona), "Living Draw" com Daniela Lehman (Berlim, Lisboa) e "1st Rehearseal" com Pedro Pires (Londres, Lisboa). Realizou diversas palestras sobre o seu trabalho de desenho, instalação, linguagem e estratégia de pensamento, para alunos da licenciatura e mestrandos da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, entre 2008 e 2013. Em 2012 mudou-se para Viseu. Abriu atelier ao público e é o director artístico da Galeria Experimental - Saguão.

joao-dias.wix.com/joaodias